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O Santuário era a Terra? No tempo de Miller, prevalecia entre os cristãos a idéia de que, na era cristã, o santuário é a Terra. Miller mantinha a opinião popular e cria que a purificação do santuário era a purificação da Terra pelo fogo por ocasião da volta de Cristo. Concluiu que, se pudesse encontrar o ponto de partida dos 2300 dias proféticos (ou anos literais), poderia também determinar a data da segunda vinda do salvador. Pôs-se a estudar, e constatou o seguinte: O anjo Gabriel fora incumbido de interpretar a visão ao profeta Daniel. Foi lhe dito por um homem: “... dá a entender a este a visão” Daniel 8:16. Todos os pontos da visão foram explicados a Daniel, menos o período profético das 2300 tardes e manhãs, onde findou a visão, porque, neste ponto, o profeta não mais pôde suportá-la. O anjo, portanto, o deixou por algum tempo, voltando depois para explicar-lhe o que ficara sem explicação. ‘Estando eu, digo, ainda falando na oração”, relata o profeta, “o varão Gabriel, que eu tinha visto na minha visão, ao princípio, veio voando rapidamente... e me instruiu, e falou comigo, e disse: Daniel, agora saí para fazer-te entender o sentido”. Daniel 9:21, 22. O “sentido” da visão das 2300 tardes e manhãs é que o anjo veio agora fazê-lo entender, pois o profeta andava muito preocupado com essa questão. Antes de iniciar a explicação sobre esse ponto, mandou-lhe que se concentrasse na visão e nas palavras que havia ouvido, a saber: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.” “... toma, pois, bem sentido na palavra, e entende a visão”, disse-lhe o anjo Gabriel. Daniel 9:23.
Setenta semanas para o povo judeu O anjo, em seguida, reencetou sua explicação exatamente onde a havia interrompido. “Setenta semanas estão determinadas (literalmente ‘separadas’) sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para extinguir a transgressão, e dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos santos.” Daniel 9:24. Setenta semanas proféticas, equivalentes a 490 anos, declarou o anjo estarem “separadas” para o povo judeu. Quatrocentos e noventa anos separados de dois mil e trezentos anos, restam mil oitocentos e dez anos (2300 – 490 = 1810). Sabendo-se agora quando começam as 70 semanas (ou 490 anos) sabe-se também quando começam e quando terminam os 2300 anos. “Sabe e entende”, continuou Gabriel, “desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e as tranqueiras se reedificarão, mas em tempos angustiosos. E depois das sessenta e duas semanas será tirado o Messias, e não será mais... E Ele firmará um concerto com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares.” Daniel 9:24-27.
O decreto de Artaxerxes As setenta semanas devem ser contadas a partir do decreto mandando reconstruir Jerusalém. Uma vez determinada a data desse decreto fica também estabelecido o ponto de partida dos 2300 anos. Lemos em Esdras 6:14, que a casa do Senhor foi edificada e aperfeiçoada “conforme ao mandado de Ciro e de Dario, e de Artaxerxes rei da Pérsia”. Esse último rei foi quem promulgou o decreto definitivo, em 457 A. C., conforme se colige dos documentos históricos. Os termos do mesmo encontram-se em Esdras 7:12-26. A partir de 457 A. C., contadas “sete semanas e sessenta e duas semanas”, ao todo 69 semanas ou 483 anos, nos levam ao ano 27 da era cristã, ou seja, “até ao Messias”, que se traduz por “Ungido”. Nesse ano foi Jesus, por ocasião de Seu batismo, ungido com o Espírito Santo. (Atos 10:38). Resta ainda uma, a septuagéssima. Com alusão à mesma está escrito: “E Ele firmará um concerto com muitos por uma semana”. Daniel 9:27. Durante essa semana simbólica - sete anos (de 27 a 34 A. D.), o Evangelho foi pregado entre os judeus. “O tempo está cumprido”, diziam Cristo e os apóstolos. Marcos 1:14, 15. “Na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares” (Daniel 9:27), concluiu o anjo Gabriel. Três e meio anos depois de Seu batismo, ou seja, no ano 31 da era cristã, na primavera, ofereceu-Se Jesus para morrer por nós na cruz, a fim de remir-nos da condenação da Lei. Cumpriu-se então, na cruz do calvário, a verdadeira expiação, para a qual, desde a entrada do pecado no mundo, haviam apontado, em símbolo, as ofertas sacrificais. O tipo foi, nessa ocasião, abolido pelo antítipo. A expiação em sombra deveria cessar por ter-se feito a expiação em realidade. Cessou, assim, o sacrifício e a oferta de manjares. Cumpriu-se, pois, em 31 A. D., a primeira metade da 70ª e última semana. A segunda metade deveria também ser dedicada exclusivamente à nação judaica. “Não ireis pelo caminho das gentes”, disse Jesus aos discípulos, “mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel”. Mateus 10:5, 6. Em 34 A. D., findou a segunda metade da última semana. Acabou o período de setenta semanas separadas para o povo judaico. Os judeus rejeitaram a Cristo e o convite do Evangelho. Com isso selaram sua rejeição por Deus, como nação escolhida. Cumpriu-se então o que Jesus havia dito em conclusão de uma das Suas parábolas: “Portanto Eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos.” Mateus 21:43. Em seguida, o Evangelho foi levado aos gentios. (Atos 13:46, 47).
O fim do período – 1844 A.D. Torna-se-nos agora fácil determinar o fim dos 2300 dias proféticos (ou anos literais). Descontados desse período 490 anos, sobram ainda 1810 anos, que, contados desde 34 A. D., terminam em 1844 A. D. A esta conclusão chegaram Guilherme Miller e seus companheiros. O cálculo do tempo estava absolutamente certo. Findas as 2300 tardes e manhãs, seria purificado o santuário. Criam, como os demais cristãos, como já foi dito, que sendo o santuário a Terra, e que a purificação do santuário seria a purificação da Terra pelo fogo, por ocasião da volta de Cristo, pois está escrito que “o Senhor virá em fogo”, com a “Sua repreensão em chamas de fogo”. (Isaías 66:15; 1 Tessalonicenses 1:7, 8). Mas o tempo marcado passou e Jesus não veio. Tiveram, em conseqüência, um grande desapontamento.
O doce se torna amargo O desapontamento por que passaram os que criam na volta de Jesus em 1844, tinha sido previsto pelas profecias concernentes a essas experiências amargas. São descritas no capítulo 10 do Apocalipse: “E vi outro anjo forte”, lemos aí, “que descia do céu, vestido de uma nuvem; e por cima da sua cabeça estava o arco celeste; e o seu rosto era como o Sol, e os seus pés como colunas de fogo; e tinha na sua mão um livrinho aberto, e pôs o seu pé direito sobre o mar e o esquerdo sobre a Terra.” Apocalipse 10:1, 2. O fato de ter João visto um livro “aberto” nas mãos do anjo, indica tratar-se de um livro fechado, que deveria reter seu selo até o tempo de sua abertura. Fala-se evidentemente do livro da profecia de Daniel, pois a Bíblia não menciona nenhum outro livro selado. “E tu, Daniel”, foi-lhe dito, “fecha esta palavra e sela este livro, até ao tempo do fim.” (Daniel 12:4). No “tempo do fim” esse livro seria aberto. Deus iluminaria a mente dos Seus servos para que pudessem compreender seu conteúdo e divulgá-lo, em forma de advertência ao mundo. Isso começou a ter cumprimento pleno e pormenorizado na obra de Guilherme Miller e seus companheiros de 1840 a 1844. O ter o anjo posto um pé sobre a Terra e o outro sobre o mar, simboliza o vasto alcance da mensagem que deveriam pregar. “E a voz que eu do céu tinha ouvido tornou a falar comigo, e disse: Vai, e toma o livrinho aberto da mão do anjo que está em pé sobre o mar e sobre a Terra. E fui ao anjo, dizendo-lhe: Dá-me o livrinho. E ele disse-me: Toma-o, e come-o, e ele fará amargo o teu ventre, mas na tua boca será doce como o mel. E tomei o livrinho da mão do anjo, e comi-o; e na minha boca era doce como mel, e, havendo-o comido, o meu ventre ficou amargo.” Apocalipse 10:8-10. Em Apocalipse 10:1, o anjo representa os crentes do advento a pregar, no tempo do fim, a mensagem do livro de Daniel, cujo selo seria então removido. Nos versos 8 a 10, João representa os mesmos crentes a passar por uma experiência amarga – um desapontamento. São usados dois personagens (o anjo e o apóstolo) para representar dois aspectos da obra e experiência dos que criam na breve volta do Senhor, assim como o cordeiro e o sacerdote, no culto típico de Israel, simbolizavam dois aspectos da obra de Cristo. Biblicamente, comer um livro significa examiná-lo. Ezequiel 3:1-3; Jeremias 15:16. Miller e seus companheiros examinaram o livro de Daniel. Uma vez tirado seu selo, muitos se alegraram com as verdades ali reveladas. E para todos os que receberam as confortadoras novas da breve volta de Jesus, as mesmas eram motivo de grande gozo e alegria. Foi de fato melíflua a doçura proporcionada pelo conteúdo do livro da profecia de Daniel, aberto no tempo do fim. Mas o gosto amargo não tardou em ser sentido. Passou o tempo em que esperavam a doce volta do Senhor, a saber, no outono de 1844, e Ele não veio. Ficaram desapontados. O doce tornou-se-lhes amargo. Mas os que suportaram o processo digestivo, por assim dizer, continuaram a investigar o assunto, a ver onde haviam falhado. Viram, então, que o Senhor não voltaria antes que proclamassem Sua vinda em todo o mundo. “E ele (o anjo) disse-me: Importa (povo do advento) que profetizes outra vez a muitos povos, e nações, e línguas e reis.” Apocalipse 10:11.
Paralelo entre o desapontamento dos discípulos nos dias de Jesus e o desapontamento dos adventistas no tempo do fim
Os erros tradicionais que campeiam nas igrejas podem, às vezes, afetar a correta compreensão da verdade pelos servos de Deus. Assim foi com os primeiros discípulos. Juntamente com os sacerdotes e o povo, eles criam que o reino a ser estabelecido pelo Messias seria um domínio terrestre, fundado sobre os escombros de impérios subvertidos pelo poder das armas. Criam que Jesus fosse ascender, como rei terreno, a um trono terrestre, libertando a nação judaica do jugo dos romanos. Depois da morte de Jesus, eles, grandemente desapontados, disseram: “E nós esperávamos que fosse Ele o que remisse a Israel; mas agora, sobre tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram.” Lucas 24:21. Quarenta dias depois da ressurreição, eles ainda Lhe perguntaram: “Senhor, restaurarás Tu neste tempo o reino a Israel?” Atos 1:6. Não compreendiam ainda que o Messias deveria remi-los, não do jugo dos romanos, mas sim do jugo do pecado. Atos 5:31; João 8:32-36. Não compreendiam que o reino de Cristo seria um reino espiritual, estabelecido mediante a implantação de novos princípios nos corações dos homens. Havendo-se cumprido as sessenta e nove semanas que deveriam estender-se “até o Messias, o Príncipe” (Daniel 9:24, 25), Cristo enviou os Seus discípulos com a mensagem: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo.” Marcos 1:15. Saíram a proclamá-la com grande gozo, pois, como já dissemos, esperavam que o Messias fosse estabelecer seu reino terrestre em Jerusalém, para reinar com poder secular sobre toda a Terra. Proclamando essa mensagem, estavam a cumprir a vontade de Deus. O que anunciavam era correto. Mas não compreendiam toda a verdade da mensagem que pregavam. Seus olhos estavam obcecados quanto à natureza desse reino. Ao passo que esperavam ver o Messias ascender ao trono terrestre de Davi com toda a pompa real, viram-nO sofrer todo o tipo de humilhação e ser crucificado como malfeitor. Que desapontamento! Experiência paralela à dos primeiros discípulos tiveram os servos de Deus que proclamaram a segunda vinda de Cristo em 1844. Assim como os discípulos, baseados em Daniel 9:25, saíram a declarar que o tempo (as 69 semanas até o Messias) estava “cumprido”, e que o reino de Deus estava às portas, também os adventistas, baseados em Daniel 8:14, saíram a anunciar que o período profético das 2300 tardes e manhãs estava prestes a cumprir-se, com a purificação do santuário. Estavam convictos de que as palavras: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs, e o santuário será purificado”, apontavam para o juízo, e, assim proclamaram a mensagem do primeiro anjo: “Temei a Deus, e dai-Lhe glória; porque vinda é a hora do Seu juízo.” Apocalipse 14:7. Essa mensagem foi proclamada no devido tempo. A purificação do santuário devia efetivamente começar ao cabo das 2300 tardes e manhãs, em 1844 da era cristã. O juízo devia então ter início. Mas assim como os primeiros discípulos não compreendiam a natureza do reino, cujo próximo estabelecimento anunciavam, assim também os adventistas não compreendiam o significado de “a purificação do santuário”. Pensavam que o santuário fosse a Terra, e que sua purificação se faria pelo fogo, por ocasião da segunda vinda de Cristo, que então viria “para fazer juízo contra todos”. Judas 14. Tanto aqui como ali foi feita a vontade de Deus em proclamar as mensagens devidas no devido tempo. Mas em ambos os casos, isto é, tanto com os primeiros discípulos como com os adventistas, em virtude da má compreensão das mensagens que proclamavam, motivada pela aceitação de erros populares, houve desapontamento. Depois da Sua ascensão, os discípulos de Jesus, finalmente compreenderam a razão de sua amarga experiência. Viram que o Messias viera para libertá-los, não do jugo romano, mas sim do jugo do pecado. Compreenderam a natureza espiritual do reino estabelecido por Jesus. Mas os judeus começaram a acusá-los de inventar uma manhosa teoria para explicar seu desapontamento e justificar “o fracasso da tentativa de Jesus” de tornar-Se rei. Paralelamente a essa experiência, os servos de Deus, passado o outono de 1844, mediante profundo exame da Escritura, chegaram a uma compreensão exata acerca do santuário e sua purificação. Puderam então dar as razões de seu desapontamento. Compreenderam porque o livro da profecia de Daniel se lhes tornara amargo. (Apocalipse 10:8-11). Também na parábola das dez virgens, aliás, podemos entrever a predição dessa experiência. Diz-se que o esposo tardou. (Mateus 25:5). Isso indica que Ele não veio na hora esperada. Mas assim como os primeiro discípulos eram acusados pelos judeus de buscar subterfúgios para explicar o “fracasso de Seu Mestre”, assim também os adventistas são acusados de ter inventado uma “manhosa teoria” para justificar seu desapontamento. Tanto aqui como ali se nota a mesma hipocrisia por parte dos inimigos da verdade.
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